2005-2008 – Meus anos de universidade

[ tony ]

| rodo cotidiano |

Já contei aqui mesmo que a escolha da universidade foi algo completamente natural. Ao contrário da maior parte das pessoas, houve zero nervouser sobre o que faria.

E aí, sabido que queria fazer Publicidade e Propaganda, e ser diretor de arte em publicidade, os 3 anos que me separavam da universidade foram de completa reflexão sobre como passar e estar lá, e nos quatro anos dentro dessa vivência, fazer tudo e mais um pouco para tirar o máximo do curso.

 

 

Meu principal defeito nesse periodo era a arrogância. Não a de “eu sou foda, dig din”, mas a de “não vai ter nada nem ninguém que vai me impedir de fazer o que vim fazer aqui. Não estou a passeio aqui. Vou ser o melhor publicitário que conseguir nesse período”. Do alto desse conceito, foi de tudo: de fazer trabalho com todos os colegas de sala, até o bater no peito e “arranjar briga” com todos os professores para fazer os trabalhos sozinho, argumentando com o máximo de opções possíveis para não dizer com todas as letras: “não quero fazer com essa galera aí que não tá no meu nível”.

 

ou seja: um belo dum CDF.

Mas, um CDF que amava muito o que pegou pra estudar.

Que trocou os botecos [especialmente pq a quantidade de dinheiro era zero, à época] pela biblioteca. E simplesmente devorou toda a seção de comunicação. Depois foi pra arte, psicologia, e o que tinha nas bibliografias indicadas das disciplinas.

rotacione a imagem pra ler o texto. Eu fiquei boladissimo de entregar a arte assim. Meu professor pegou e fez questão de mostrar no ano que estava e nos anos seguintes, em todas as turmas: “TÃO VENDO ISSO DAQUI? ISSO DAQUI É NÍVEL DE TRABALHO DE QUEM QUER SER PROFISSIONAL”.

Afinal eu só iria viver a universidade uma vez só.

Me irritava a ideia de que eu passaria 4 anos da vida ocupado com um curso e depois ainda esticaria mais um tempo por causa de matérias mal feitas, ou eventuais reprovações. Me aterrorizava pensar que teria que colocar um dinheiro que eu não tinha, para concluir um sonho. Esses motores de terror fizeram com que eu nunca sossegasse, enquanto não fizesse um pouco mais que o melhor.

 

E faziam com que, com paixão, eu vivesse tudo que era pra viver:

[] quando estudava pela manhã, enfrentava 70 minutos pra ir, 80 pra voltar;

[] onde a maioria veria um “nossa, muito tempo”, eu via vantagem: era assim que eu lia 1 livro por semana, e geralmente estava com 2 a 3 emprestados ao mesmo tempo;

[] quando enfim consegui estagiar, depois trabalhar, e nisso mudar de horário, a rotina era de acordar as 5h50, e dormir à 00h50, quando dormia. Adicione aí mais 60 minutos de ônibus;

[] pois no último ano de faculdade, com o TCC, eu escolhi subir a maior montanha que tinha.

TCC: pros outros, a hora de terminar a universidade. Pra mim, a hora da verdade.

A Tuiuti teve a feliz ideia de abrir, em 2008, a possibilidade para que os alunos escolhessem o modo de trabalho de conclusão [monografia ou campanha] para fazer de forma individual. Entre todos os alunos, fui o único que escolheu fazer uma campanha sozinho. Isso incluia:

[01] Encontrar um cliente;

[02] Fazer a pesquisa de mercado;

[03] Fazer pesquisa bibliográfica;

[04] Construir um cenário de comunicação;

[05] Definir um objetivo de comunicação;

[06] Criar um planejamento de comunicação;

[07] Criar um plano de mídia;

[08] Criar um posicionamento de comunicação;

[09] Criar uma campanha a partir desse posicionamento, com 06 mídias obrigatórias;

[10] Escrever, revisar, criar, editar, finalizar, comprar pranchas, imprimir as peças, refilar e montar tudo.

 

Ou seja, essa história de “tudo que comunica, eu faço”, já se frutificou ali 🙂

Falo frutificar pois eu subi essa montanha feliz da vida, pois tava fazendo o que amava.

 

E uma das frutas foi “bater” todos os meus colegas de classe. Fiquei com o 1º lugar, entre mais de 20 alunos, em relação à nota do TCC. Na média até ali, eu era o 5º aluno com a maior nota em campanha na história da UTP. Por ter feito sozinho, virei um “case” do curso.

Mas na prática, o que tudo isso deu?

A casca grossa.

A tenacidade para nunca me contentar com “o suficiente”. Fazer uma vez, bem feito, pra fazer uma vez só.

A consciência de só ser melhor que você mesmo, jamais comparando com outras pessoas, outras notas, outras ideias.

A transparência de aceitar que vai ter quem goste do seu jeito, vai ter quem não goste, e tá tudo bem.

A força para buscar todos os dias mais um sim.

E fazer com que todo o resto seja só o resto.