O Lado C do Home Office

[ tony ]

| profi, rodo cotidiano |

Home Office é o modelo queridinho da indústria da ansiedade e a alternativa mais saudável para quem busca adicionar um pouco de equilíbrio no desequilíbrio da vida, trocando as horas de deslocamentos por mais descanso, mais atividades caseiras e – porque não? – mais empregos. Trabalhar em casa e/ou remotamente possui vários lados.

O lado A é o que está em todos os textos que você já cruzou na internet: feito pra te vender um curso ou uma locação em coworking ou (adicione aqui qualquer produto da indústria da ansiedade). O lado B é de quem usa o assunto para posicionar sua marca pessoal no universo do “lifestyle” minimalista-vidasimplistico, uma plataforma forte [e ampla] de conteúdos.

Nas próximas frases você vai topar com o lado C: o de quem vive na prática o home office ;)…

 

Até pelado pode!

Sabe a historinha sobre vestir ou não “roupa de trabalho”?

Troca isso por hábito. Vista-se como bem entender, tudo que você precisa é criar um hábito que te ative o “modo produção” e te tire do “modo procrastinação”.

Dica: se conseguir fazer isso pra trabalhar em casa, enormes chances de conseguir fazer para qualquer coisa que anda pensando em mudar na vida.

conforto é o que vale.

A produtividade não tá no que você veste, tá na sua atitude. Eu trabalho sempre com a roupa mais confortável do guarda-roupa [e, em alguns dias, é o pijama]… Outros hábitos formam [ou complicam] minha produtividade, a começar pelo estado mental. Roupa, neste cenário, definitivamente é o de menos.

 

Home office é lidar com escolhas menos óbvias.

Pra quem vai de home office, se for pra escolher 1 investimento, é na tecnologia que te garanta não passar perrengue.

Se é a melhor internet que chega aí, se é o celular topo de linha, ou se é um computador robusto, fecha o olho e vai.

Tou vendo daqui você olhar pra esse textão e soltar um safado “ainn mas é caro”.

Sabe o que que é caro? Queimar sua hora de trabalho com qualquer dificuldade que você não contorna por usar equipamento defasado.

É perder contrato e/ou cliente porque “precisa otimizar custo”.

Repare que eu utilizei o termo investimento. Ferramenta de trabalho não é nada mais que isso. Seu trabalho vale graças e se paga com elas.

Começa com o que tem, mas não esquece de reservar um tantinho pra melhorar essa estrutura.

Aqui você escolhe se vai ser estratégico [e reverter parte ou toda a economia com deslocamentos nessa qualificação da sua estrutura] ou idiota [e comportar-se exatamente como algo que critica: fazer economias burras e culpar o universo por não ganhar mais / melhor], do mesmo padrão que existe nos ambientes de trabalho.

Na foto, as minhas ferramentas. Custaram juntas 5 dígitos polpudos, que nunca tinha investido na vida. Estavam pagas em 3 meses =)

 

Sua casa é um lar ou um lugar para __________ [insira aqui a resposta]?

Se for pra ser office, fica lá no office. Home é aconchego.

E home office é criar um ambiente que te ajude a produzir com eficácia.

Fazer as coisas certas, com aconchego, resulta em prazer. E o prazer te ajuda em quase tudo que pretende alcançar.

Da roupa ao local, do equipamento ao descanso. Aconchego é a coisa mais valiosa de locais assim, depois vem o resto.

 

Office ou home, o problema nunca é o lugar*, é você.

Na mesma mão que tem cada leitor desse tipo de conteúdo por aí dizendo que é um sonho viver de home office, tornar o sonho realidade depende muito mais de como você age.

Se você tem um emprego que não gosta, vai seguir não gostando dele em casa.

Trabalho que não satisfaz? Só tá tirando a nuvem cinza que levava ao fechar a porta, pra dentro do lugar que deveria ser seu refugio.

Tá na correria e no desespero pois é o trabalho/emprego que paga o boleto da prestação da casa? Parabéns, isso pode funcionar como uma inspiração positiva pra você produzir e ressignificar onde, como, porquê trabalhar.

Afinal, se você não for profissional no office, na home você só vai revelar mais do seu “pior lado”.

*ao me referir sobre lugar, aqui, não estou falando de pessoas e ambientes onde há toxidade e agressões psicológicas de todas as naturezas.

 

Home office tem um tantão de óbvio

Como uma mesa que só se equilibra em 4 pernas, obviamente interessante de lembrar – um espacinho pra chamar de seu, com o mínimo de interrupções possíveis, e a construção ou prática da habilidade de gerir o tempo de forma organizada. Sem estas 3 perninhas, a base do home-office fica bamba.

A quarta perninha? Seu objetivo. Usar o tempo do deslocamento para aumentar o valor da sua hora, para fazer atividades que antes não cabiam, ou pra trabalhar mais, mesmo. Começar a migrar de carreira ou de área. Ser parceiro da empresa onde está e ajudar na otimização de custos.

Com essa base, você tá firme pra voar. Reparou que essas 4 coisas também são necessárias no office?

O que você tá fazendo para que elas existam? Como você pode construi-las em seu trabalho?

São elas que vão determinar se home-office é pra você ou se é só uma possibilidade remota.

Pra mim, foi um loop: cresci num ambiente de home-office, e saí pra trabalhar me prometendo que só replicaria o modelo por uma causa muito especial ou impossível. Pra casar, precisei replicar. Quando adoeci, precisei me mudar pra ele. E hoje, existem pouquíssimas possibilidades que me seduzem a substituí-lo.