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@tonykarlos – tudo que comunica eu faço.

Frases corporativas que não fazem sentido

O universo corporativo / as relações profissionais são repletas de frases feitas que se popularizam rapidamente.

Algumas dessas frases, além de não fazerem sentido algum, são nefastas para o entendimento real do que é estar num emprego, viver um trabalho, e construir uma carreira respeitando primeiro a si mesmo, depois o ambiente ao seu redor.

A seguir, as que acredito que são mais danosas.

As 7 piores frases corporativas

“se você é a melhor pessoa da sala, tá na sala errada”.

Um dia eu paro, e faço. Faço 1 ranking das frases + arrogantes da história, só pra ter “se você é a melhor pessoa da sala, tá na sala errada” no top 3.

Vejamos: então se entro num ambiente pressupondo ser mais [email protected] que os demais e algo sugerir que sim, me retiro / troco de turma? Coloquei “melhor” mas pense em “mais inteligente” [como se inteligência fosse apenas conceitual]…

A lógica nefasta do “você não é desafiado por pessoas medíocres” é tentadora, especialmente no contexto de networking e negocios que vivemos.

Só que transforma a naturalidade da relação humana em obsessão por prateleiras. “Preciso ser melhor que X”. “Devo ser tão bom qto Y”, “o certo é me relacionar com Z”.

AmigX, cê só precisa ser melhor que você mesmo!

E um dos meios de não conseguir isso é sendo tosquinho a ponto de achar que toda média ao seu redor tá primeiro pra baixo [é média!], só dá pra aprender com quem já sente o cheiro da fornada na fila do pão.

Em vários cenários, essas “pessoas melhores” não são o público seja lá do que você quiser vender ou aprender. Já você é, certamente, cliente delas.

Não é coincidência essa frase estar em 20 dos 10 tipos de negócios que vendem desenvolvimento pessoal prometendo elevar seu nível…

 

“você é a média das 5 pessoas com quem convive”.

Abra a mão que não segura o celular, conte nela: cada dedo, 1 pessoa que tu vai passar a menosprezar.

Isso acontece quando você leva a sério a cultura de “ser a média das 5 pessoas com quem convive”.

Tem várias verdades aí. Uma é que vão vender mentorias com ela.

Contudo, sem lembrar que ao buscar no outro a falta em ti, tanto faz quais sejam as 5 pessoas, a média será insuficiente.

Alimentará 1 ciclo vicioso em comprar o que você precisa descobrir dentro de si, noutra natureza de preço e valor.

Somos influenciados por tudo e todos que nos cercam. Somos média disso tudo, sem precisar escolher “5 extraordinários”.

A [auto-]responsabilidade do que fazer com cada “clube dos 5” é sua.

Quem vende isso [em qualquer produto ou serviço] costuma ser arrogante. Assumindo posição de autoridade, num pedestal, e tudo que faz precisa ser validado.

Só publica as coisas como panfletagem, só conversa com quem rotulou como “média alta”, se faz humilde em forma de pergunta quando tá pesquisando em cima das tuas dores.

Se há um contraponto “desafiador”, sem biscoitinho, se sente [email protected] ou argumenta com agressividade… semelhanças com as tretas de ego dos/entre influenciadores/topvoicers em todas as mídias sociais que batalham pra ser 1/5 seu?

 

“oi, tudo bom? Oi, tudo bem?”

Já reclamou algum dia de atendimento de #telemarketing ou #sac de empresa grande?

Então porque carambolas você começa e responde t-o-d-a–e–q-u-a-l-q-u-e-r–m-e-n-s-a-g-e-m com as mesmíssimas palavras?

Não tou falando da saudação em si, é de mandar 15 e-mails pra alguém no mesmo dia, e perguntar “tudo bem” em todos eles.

Ou falar com a pessoa em diversos canais – e em todos, T-O-D-O-S – você repetir a saudação.

Isso não é empatia, nem simpatia. É ato reflexo. É robotismo. E é um porre…  É uma etiqueta corporativa que poderia cair em desuso.

Fica a impressão que a pessoa não tá prestando atenção em nada do que se conversa no canal em uso, só tá “focada” em resolver o assunto [responder a mensagem], mas não o problema [comunicar-se de uma forma clara e ganhar tempo para o que for preciso].

E ai, tudo bem? Tudo bem? Tudo beEAAAGGGGHHH!

Duvido que você goste de conversar com quem tem comportamento robótico.

 

“tem que ter visão de longo prazo”

Nem com o olho de tandera a frase “visão de longo prazo” faz sentido.

Depois de “precisamos cortar custos”, essa é a frase que mais me incomoda no universo corporativo. Nem pelo textual, é o contexto em que é utilizada.

A associação com a ideia de que só planejando as coisas acontecem, acaba sustentando o abismo que existe entre planejar e fazer, ao invés de encurtá-lo.

Ao tratar como mito a necessidade de estruturar processos grandes [a sustentabilidade da empresa no mercado] em partes menores, que precisam ser pensadas do “fim pro começo”, a abstração dessa necessidade de visão de longo prazo vira uma fantasia.

Pois dependendo do tamanho da empresa, o abismo não é só da visão, é entre quem conduz cada etapa.

Um problema de cultura, a cultura geral, não a corporativa que posiciona gestores como deuses antes outros escalões da corporação.

A deturpação dos valores humanos que ainda sustenta violências morais e sexuais entre hierarquias.

Como diz um slogan, potência não é nada sem controle.

Visão de longo alcance só faz sentido se há um passo para dar no final do dia para chegar lá.

E sem o esforço para executar isso, e não a manutenção da zona de conforto que deixa cargos e salários estáveis, a frase vira só uma bulshitagem das boas.

 

“por que num mundo v.u.c.a…”

Quer ver ou ler alguém tentando impressionar? Aguarde pelo vuca, ou vica, solto no meio de uma frase aparentemente inteligente.

Volátil, Incerto [uncertain], complexo, ambíguo. Do que estudo conteúdos mais profissionais/corporativos, [e já tem um bom par de anos] já existia essa conversinha.

O termo existe desde o começo dos anos 90…

Particularmente não me lembro de algum momento onde a humanidade não estivesse lidando com estas 4 dinâmicas.

Aliás: todas essas coisas acontecem num intervalo de um dia. Resolveram transformar em ativo de negócio…

E toda vez que eu leio me sinto como se estivesse segurando um copo de água e me dissessem: água é bom, viu? Saudável e faz bem, se eu fosse você, eu beberia.

“tudo muda muito rápido e com as tecnologias e tendências é importante estar um passo a frente, ser flexível e resililente pois não há previsibilidade de nossas ações e blá-blá-blá”…

Tem algum momento aí na sua empresa, ou no seu cargo, que a vida não funcionasse exatamente assim?

Por mais que criemos zonas de conforto mentalmente, tudo sempre esteve, está e estará a um passo de mudar.

Enfeitar o jarro com esse termo é como colar um adesivo na testa: “insegurança do cacete em ser mais organizado e estratégico de verdade, e não no discursinho”.

 

“o empregado tem que pensar com mentalidade de dono”.

A implicância com essa frase tem uma lógica bem rasa: este ser humano já tem que ter mentalidade de dono com a própria vida, e costuma ser instruído a não ter consigo.

Pois sugere que a camisa da empresa tem que ficar mais apertada que a sua. Fica e é por isso que tem tanta gente quebrando psicologicamente.

São sempre os fatores externos os problemas com a empresa, e não a cultura interna, os processos jurássicos, as pessoas que descontam um sem-número de frustrações e maldades recebidas a partir de um crachá ou cargo supostamente superior.

Esqueça o mundo lindinho que tentam vender aqui nas mídias profissionais, onde tudo virou um grande “instagram do emprego” e, pelo preço do ego, tentam fanficar a jornada de trabalho ao ponto de virar uma competição de quem tem o emprego mais foda.

Empregado pensa como dono se for dono, se for empoderado como um.

Se entender a diferença entre trabalho e emprego.

Se tiver dentro de si a cultura de empreender, e for estimulado a utilizar esta cultura de verdade

Do contrário, é só discursinho, bulshitagem corporativa…

 

“o único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário”.

Quem nunca, né? Eita frasezinha maldita, se aplicada ao universo corporativo.

Se o principal motivo para trabalhar é o sucesso, o que realmente seria ele? Especialmente quando mudam o significado de #emprego para #trabalho, assuntos completamente diferentes.

Do jeito que sucesso é vendido, apenas é a corrida maluca onde as pessoas ficam doentes em ambientes tóxicos e deslocamentos épicos dum lado pro outro da cidade [entre cidades, dependendo da região], diariamente, tudo pela aprovação social da posse.

A validação social da posição ou de ser + que @ [email protected], @ [email protected] que [insira o cargo de comparação], o [email protected] de estudo te implantou trauma… e só.

A gente precisa – e pode – trabalhar por vários motivos. Sucesso é uma medida que, feita na régua dos outros, costuma não caber como gostamos de mensurar.

Pode reparar: quando as pessoas tidas como sucedidas de fato fala[va]m sobre o assunto, em raras oportunidades o emprego está elencado como fator.

Ou seja: e se você obter sucesso pessoal primeiro, e depois trabalhar nele, a partir de um formato profissional?

Pensa nisso tudo e lembre-se: o que o dicionário explica nem sempre a vida valida 😉

E você, quais frases corporativas odeia? Conta aí nos comentários!