As pessoas.

Escrevo sobre muitas coisas, muitas mesmo. Quase nunca sobre pessoas.

Ainda que a recorrência de musas e do recado “esteja em equilíbrio com sua vida” tenha sido forte ultimamente.

Faço uma leve pausa para falar doutro tema que me fascina: pessoas.

Gosto muito de conversar sobre [principalmente se for olho no olho], por mais que evite certos juízos e/ou avaliações. O tempo que correu no meu relógio ensinou-me a não falar de/dos outros se você não souber falar de si. Bem como me mostrou que a incapacidade de falar de si, coloca diversas pessoas a falar sobre outras [dispensável citar o sucesso dos realitishou].

E tenho certeza que você já reparou nisso [assim como reparou também que este blogueiro enfiou muitos “que´s” em poucas linhas. Escrevendo mais eu melhoro isto, tou enferrujado =)].

“Como é estranho”, “você já reparou que”, “acho incrível gente que isso”, “odeio gente que aquilo”, “ui que óóódio de gente assado”, “putz, tenho pena de gente assim”, “eu nunca isso”, “eu jamais aquilo”.

Povão investe o essencial de seus dias para reparar [que difere de observar, e só explicar isto dá outro post] nos comportamentos e posturas alheias, mantendo sua vida de lado; vitimizando-se e participando timidamente da platéia, na própria historia de vida.

Gente que adere ao “sou critico e tenho personalidade, sou chic-cult-beibe esporte clube”, como uma forma de traduzir ao mundo que elas são mais incomodadas que os outros 7 bilhões de humanos [ou quase] que também não sabem muito bem o que estão fazendo aqui [ou até acham que sabem. Fé é 1 coisa muito poderosa, não se discute!].

Gente inteligente, centrada, estudada, dedicada, que por medo de encontrar seu lugar no mundo prefere remanejar seu referencial teórico a fim de falar sobre uma “mediocridade” que não é dos outros.

Revestem-se da armadura forjada na sinceridade típica de quem quer atenção. Pessoas que se esquecem das práticas, quando o “eu penso” ocupa mais espaço que o “eu faço”.

Pessoas com medo de tudo, principalmente de fazer escolhas não disponíveis nas páginas dos autores prediletos. Ou aquelas que lhe tirem da zona de conforto neste sentimento de [des]ajuste social que nada mais é do que vontade faltando ou carência sobrando, marromeno nessa ordem.

Permito-me essa curiosidade [para reiterar o fascínio] de observar e discutir com os botões das minhas pólo-basicas-e-surradas:

será que é mesmo tão difícil olhar-se no espelho e perceber que a vida é mais? Que ocupar-se com isso leva ao mesmo lugar qual supõe não estar? Por que somos tão hábeis em nos omitir e ante esse poder, passamos a denegrir os outros?

Quão caro é silenciar quanto ao que não nos cabe julgar e dizer e fazer acerca do que de fato transforma nossas vidas? Por que o conceito de opinião está tão banalizado? Por que essa tal mediocridade está na moda?

Por que entre a paz de espírito e o bem estar, as pessoas preferem instituir esta chatice blasé, de dedo em riste, perfis restritos, tweets amargos e posts ibopeiros?

Perguntas que me vem em tardes de segunda chuvosa,

em noites de qualquer dia brigando com a cama, entre músicas, no viver dos dias.

Enquanto a resposta não surge, nem se compõe, continuo a admirar a senhora que vez ou outra pega busum comigo, tem uma vida sofrida e difícil, mas está sempre sorrindo, com um orgulho enorme de um marido que não sabe as tarefas mais simples de casa, mas não se esquece de dizer, e reiterar nos aniversários, que a ama [e que juntos tem duas filhas de orgulhar ainda mais, “pena q não consegui 1 vida melhor para elas, são tudo pra mim”]. Meu 2º exemplo de vida predileto.

Abro meu sorriso torto e um abraço forte pra menina que teve que cuidar dos irmãos enquanto a mãe não sabia o que queria da vida, e o pai trabalhava para que eles não repetissem a escolha.

Hoje é uma mulher, no alto dos seus dois anos a menos que eu, muito bem acompanhada e duma fé inabalável.

Deixo o senhorzinho [beem velhinho] sempre ganhar de mim na corrida, quando já estou na penúltima quadra do meu trajeto [e ele me fala, “viu como eu to treinando!?! Ahrááá!”].

Dou risada junto com algumas histórias que não queria prestar atenção, mas ouvi naquele mesmo ônibus.

Faço um bolão comigo mesmo pra saber quantos dias mais a moça dos olhos verdes, a baixinha do escritório de advocacia e a loira de aliança na mão direita[de finalidade não identificada], vão ficar me olhando sem falar comigo [e vice-versa, já que é bom ter reciprocidade e coisas em comum, começamos pela timidez, ^-^].

Viajo pelas palavras e gestos de meninas mulheres encantadoras… tão interessantes quanto tradutoras do que sentem, farão alguns sortudos muito felizes.

Entre tantas outras pessoas, conhecidas ou não, que me fascinam tanto a ponto até de abrir espaço pra pensar naquelas que muito olham e tudo julgam; que pouco vêem, ainda menos vivem, e nada entendem [começando por elas mesmas].

Enfim, pra não me fazendo de besta, muito menos de hipócrita, falo sobre mim aqui [só clicar]. Porque só faz bem [hmmmm… faz mesmo?] falar dos outros, se você estiver à vontade pra falar de si. Independendo se como um livro ou um diário, mas que seja sempre pensando nisto como uma grande obra, inacabada. Experimente, #ficadica, fixa. O resto é o resto =).

[♫] “… tudo que é muito, é demais. Peço me perdoe a redundância…” Minha Filosofia, Casuarina. Clica ali no símbolo musical pra ouvir 🙂