Sobre Ídolos

tony

In rodo cotidiano Posted

Oi, meu nome é Antonio, tenho mais de 30 anos e 0 ídolos acumulados.

Defeito ou trava de comportamento, sou incapaz de idolatrar qualquer pessoa. Nas especialidades [branding, design, direção de arte], e nas paixões que cultivo – futebol, música, cinema e leitura – nada de por em altar outro serumaninho, tirando-o da minha altura de conversa.

São só pessoas, mortais como eu. Indiscutivelmente + habilidosas/experientes onde se destacam, mas nada distantes de terem falhas de caráter, personalidade, valores, mau hálito ou preconceitos básicos, entre outras humanidades.

Sempre acreditei em todo mundo humano o suficiente para ser brilhante em algumas coisas, mas inútil em outras. Perfeitamente imperfeitos, portanto.

Acredito que somos a média daquilo que nos empenhamos e do que procrastinamos, das pessoas com quem convivemos e do que nos inspiramos para usar de exemplo. Reconhecimento é uma consequência, e mesmo quando é causa, precisa de uma jornada bem completa de capacidades e oportunidades.

Nunca foi por falta de biografia pra ler que podemos desnudar as pessoas, em suas descrições tecnicamente mais próximas. Olho para as personagens marcantes do meu tempo, e de outros tempos, acabo “gravando a figura toda” ao invés de rotular por apenas uma de suas facetas.

Coloco na conta da minha própria história, onde dentro de casa observava muito a todos, vendo que o bom e o ruim estão no mesmo corpo, expressam-se pelos mesmos meios. Ter lido “outliers” numa altura do campeonato onde estava construindo as bases do eu profissional ajudou a lembrar que muito pouco é por acaso.

Automagicamente, isso me faz ter igual atenção em ouvir 1 estranho me contar sua história de vida e dar bom dia para todos os tipos de trabalhadores de/na rua – sem pegar no celular pra expô-los – que coloco para ouvir CEOs e diretores numa reunião.

Estamos todos no máximo em posições diferentes, na mesa ou na vida.

Estamos todos no máximo em posições diferentes, na mesa ou na vida. Ajuda a não me decepcionar quando o tempo revela um cantor ou atleta incrível serem moralmente doentes, que profi da área não sabe fazer, mas sabe vender o que sugeria fazer. E que as subcelebridades digitais estão apenas em estágios mais avançados no que fazem.

As consequências das nossas escolhas e das circunstâncias que criamos e se estabeleceram ao nosso redor forjam nossas versões. O resto é como escolhemos lidar com isso.

 

A religiosidade e as religiões blindam um tanto do pensamento de que somos um pouco deuses, também.

Do livre arbítrio a capacidade de constante adaptação. De surpreender aos outros por algo inesperado, inusitado ou surpreendente. Do simples fato de que cada dia dando um passo para frente em nossos desejos menos rasos e efêmeros, próximos ficamos de idolatrar quem olhamos no espelho, ao contrário das imagens “perfeitizadas” que tem muito mais a ver com um modelo de consumo do que com a realidade.

Com a perfeita certeza de que seremos imperfeitos. com a autonomia de acreditar que o resto pode sim ser o resto, com ou sem heróis a te limitar inspirar. Mas, e você? Quem você idolatra e porque ela ocupa o seu altar?

Fonte da imagem de capa: https://www.express.co.uk/entertainment/films/1119860/Avengers-4-Endgame-Marvel-movie-list-cameo-who-dies-lives-returns-plot-spoilers